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Por Antônio Peixoto – Jornalista

Em 25 de novembro narrei no DP um lampejo futurista do turismo em Pelotas. Rotas, atrações e potenciais a serem explorados se bem investidos, organizados e divulgados. Para isso, são necessários recursos públicos e privados e um grande pacto, pois organização e vontade existem. O plano municipal de turismo foi construído a muitas mãos e está divido em quatro eixos: Costa Doce, turismo rural, cultural e negócios e eventos. As ações foram prejudicadas na pandemia, mas devem ser retomadas. Não é sobre o plano que discorrerei, mas sim sobre reflexões que acredito poder trazer para as discussões.

Ironia ou não, simplesmente viramos as costas para alguns dos maiores potenciais e paramos no tempo, ou por falta de visão, interesse ou recursos. Passa pela zona rural, com mananciais, quedas de água e pousadas que precisam, para ontem, estar ofertadas em todos os aplicativos e sites de hospedagens, também como rotas turísticas das agências. Existem, pasmem, 37 locais incríveis catalogados no site pelotasturismo.com.br. Acredito que sejam contados nos dedos de uma mão os locais que o pelotense conheça.

Poderíamos também enxergar, com outros olhares, os espaços urbanos. A cidade é rodeada por água doce e, nestas áreas, existiu pouca modernização. O canal São Gonçalo é o nosso Guaíba, com infinitas possibilidades, mas pouco se fez ali, sobretudo depois da derrocada da zona portuária, com raras exceções como a instalação da UFPE. Neste semestre o governo do Estado sinalizou o “start” a partir de investimentos com a construção de uma avenida. Se sair, teremos enormes possibilidades.

Neste mesma lógica, o popular “quadrado”, no Porto, poderia ser zona de passeio e esportes náuticos de dia e da boemia. Bem estruturada, com fomento para a gastronomia, a Colônia Z-3 tem potencial inacreditável (hoje carece até de sinal de celular), assim como a Ilha da Feitoria. O Pontal da Barra poderia ser área de turismo sustentável, com preservação e contemplação da fauna.

A rota do Arroio Pelotas para as Charqueadas precisa ser melhor potencializada. Temos uma praia imensa praticamente vazia, o Totó, com um camping fechado, e outra que já poderia estar interligada por calçadão que é o Balneário dos Prazeres, ampliando a área estruturada de praia com iluminação e acessos pavimentados desde o Santo Antônio e Valverde. E o trapiche de concreto poderia ser atração permanente.

A rede hoteleira, gastronômica e comercial em geral, poderia ser qualificada e ampliada. Empreendedores locais, pequenos, médios e grandes, ser incentivados a investirem com incentivos fiscais, linhas de crédito e capacitação para terem retorno o ano todo e gerar empregos. Organizar pequenos empreendimentos em cooperativas é uma alternativa. Esse crescimento precisa ser pensando e executado a longo prazo, como fez Gramado, de 36 mil habitantes, que não tinha quase nada no seu começo e hoje é potência nacional, recebendo anualmente seis milhões de turistas de onde provém 90% da arrecadação. O desenvolvimento se projetou também na educação e na saúde pública, uma das melhores do país.

Não sou especialista no setor (me perdoem se estiver equivocado), mas gosto de imaginar algo grandioso para Pelotas. Sou adepto à visão progressista, mas sem recursos substanciais não se faz nada. Precisaríamos de mais investimentos que passam por maior representatividade politica, para termos acesso a mais emendas, programas, recursos e fazer valer a nossa voz por meio de um grande pacto local, além de mais recursos privados.

Outras cidades transformaram suas zonas “patinho feio” em atrações rentáveis, como Porto Alegre por duas gestões de diferentes partidos. Portanto, nem se trata de plano de um governo, mas sim de plano de crescimento econômico de cidade pactuado e abraçado por todos suprapartidariamente, inclusive pelo cidadão, pelas próximas décadas. A grande indústria salvadora que tanto clamamos, talvez só dependa de nós e pode ser a do turismo. É possível.

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