Uma palavra de incentivo ao turismo da fé – Correio Popular

O papa João Paulo II afirmava que cada religião tem um ou vários lugares que considera sagrado, formando aquilo que o pontífice chamava de “geografia da fé”. Entre os exemplos mais notáveis estão o Vaticano, para os católicos romanos; Jerusalém, cidade santa para os judeus, muçulmanos e cristãos; Aparecida, onde fica a basílica da padroeira do Brasil, para os católicos brasileiros; e Angkor, no Camboja, para os budistas. Lugares sagrados como esses atraem milhões de turistas todos os anos, movimentando bilhões de dólares, além é claro de alimentar a fé de seus fiéis. Uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo revelou que o turismo religioso é o segundo tipo de turismo mais comercializado na Região Nordeste do Brasil, perdendo apenas para o turismo convencional de lazer e entretenimento, típico de sol e praia.

Juazeiro do Norte, no Ceará, que recebe cerca de 2,5 milhões de devotos de Padre Cícero por ano, e Bom Jesus da Lapa, na Bahia, são dois destinos relevantes de peregrinação. Em Aparecida a movimentação de visitantes ao Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição é de 12 milhões de romeiros por ano, isso antes da pandemia.

Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, publicada na edição de hoje, o monsenhor Fernando de Godoy Moreira, muito querido pelos católicos, comenta com sabedoria a necessidade de haver maior apoio ao turismo religioso no Brasil, especialmente em Campinas. Para ele, ao contrário dos europeus, falta ao brasileiro maior apreço pelas artes sacras, e, principalmente, pelo riquíssimo patrimônio histórico e religioso das catedrais.

Em Campinas, os exemplos mais expressivos são a Catedral Metropolitana e a Basílica do Carmo, ambas no centro da cidade. Com mais de 200 anos de existência, a Catedral é o maior edifício de taipa de pilão do mundo. Ela é considerada uma das sete maravilhas da cidade e levou 76 anos para ser construída. Só o altar-mor, dedicado a Nossa Senhora da Conceição, totalmente em madeira, precisou de nove anos para ser esculpido. A Basílica Nossa Senhora do Carmo, que forma o marco de fundação da cidade, foi o local de batismo de Carlos Gomes e Francisco Glicério, entre outros cidadãos ilustres.

Essas e outras igrejas centenárias, como a de São Benedito e a Matriz de Santana, formam um valiosíssimo patrimônio não só religioso, mas também histórico e artístico que precisam ser divulgados. Com isso, a cidade poderá atrair visitantes e movimentar ainda mais a economia. Fica a sugestão aos gestores culturais da cidade.

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